RAIOS - X SEM MISTÉRIOS I

PARA TÉCNICOS E VENDEDORES

[ Introdução | Equipamentos | Procedimentos de Trabalho | Controle | Glossário ]

 

"RAIOS-X SEM MISTÉRIOS" é uma realização de Indústrias Reunidas Rhos Ltda., destinada a Técnicos e Vendedores de aparelhos de Raios-X Odontológicos. Esperando ser de grande valia para o aprimoramento e desempenho de suas atividades.

As Indústrias Reunidas Rhos, coloca-se à inteira disposição para esclarecer quaisquer eventuais dúvidas, bem como para receber suas críticas e/ou sugestões.

 José Aurélio Rocha Sartini

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

O estudo das características e da composição da matéria do universo preocupa a humanidade desde os primórdios dos tempos. Enfoque especial deve ser dado aos filósofos gregos e suas considerações sobre diversos campos da ciência, incluindo o átomo e sua energia. Nos tempos modernos, a descoberta da radioatividade pelo casal Currie é marco fundamental , onde Marie Currie é o grande destaque.

A descoberta dos raios-x deu-se em 1895 por WILHELM CONRAD ROENTGEN, físico alemão, ganhador do primeiro prêmio Nobel destinado a um físico. Trata-se, portanto, de uma ciência relativamente nova, onde estudos e pesquisas fazem com que haja uma rápida evolução nos processos envolvidos, nos equipamentos e nas técnicas radiográficas.

O primeiro ponto importante de RAIOS X SEM MISTÉRIOS é observar que Marie Currie realizou seus estudos e descobertas a partir de substâncias que continham elementos radioativos, ao passo que Roentgem trabalhou com a excitação elétrica dos átomos, o que demonstra a fundamental diferença entre a radiação oriunda de um átomo radioativo e a de raios-x, de origem elétrica, tecnologicamente manipulada pelo homem. A substância radioativa emite constante e espontaneamente radiações, que lhe confere características de substância radioativa, com detrimento da matéria. Já a radiação descoberta por ROENTGEM tem origem no uso da energia elétrica que nos é disponibilizada pela tecnologia do mundo moderno, e os raios-x assim produzidos somente existem, pela ação direta da energia elétrica. No campo da medicina existem máquinas que se utilizam das duas tecnologias: Com materiais radioativos e com válvulas eletrônicas. Estas conhecidas em nosso meio como ampolas ou tubos de raios-x.

Nossa intenção até aqui foi fundamentar a afirmação de que no Aparelho de Raios-x não ocorre qualquer tipo de radiação sem a ligação elétrica , o que não ocorre quando abastecido dessa energia.

As considerações relevadas neste trabalho permitem compreender a razão da PORTARIA 453 tratar apenas de DIRETRIZES BÁSICAS DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA EM RADIODIAGNÓSTICO MÉDICO E ODONTOLÓGICO, pois envolvem apenas equipamentos que se utilizam de ampolas ou tubos produtores de raios-x.

Trata-se de um esforço de regulamentação, pela primeira vez, de caráter nacional, componente básico da Política Nacional de Proteção Radiológica na área de radiodiagnóstico, em consonância com a Política Nacional de Saúde. Desta forma são unificados os procedimentos mínimos que devem ser observados pelas Autoridades Sanitárias dos Estados, Municípios e Distrito Federal, na tarefa de fiscalização e concessão de alvarás de funcionamento das unidades e instalações de uso em radiodiagnóstico médico e odontológico.

O capitulo 5 - ANÁLISE DESCRITIVA DA PORTARIA Nº 453 – 01/06/98 – DIRETRIZES DE PROTEÇÃO RADIOLÓGICA EM RADIODIAGNÓSTICO MÉDICO E ODONTOLÓGICO.

REQUISITOS ESPECÍFICOS PARA RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA.

trata entre outros, de:

O equipamento de radiologia intra-oral deve ser instalado em ambiente (consultório ou sala) com dimensões suficientes para permitir a distância de, pelo menos, 2 m do cabeçote e do paciente. Levantamentos efetuados visando detectar o alcance da radiação secundária (espalhada) demostram que o profissional, quando colocado em posição adequada em relação ao feixe principal de radiação e ao cabeçote/paciente estará protegido (vide IRD - Instituto de Radioproteção e Dosimetria da Comissão Nacional de Energia – CNEN . publicação – Proteção Radiológica para Dentistas – daqui para frente apenas mencionada como IRD ). Portanto , para que o profissional esteja protegido, é necessário apenas que, com o disparador na mão afaste-se pelo menos 2 m, mantendo a vigilância sobre o paciente. Caso haja qualquer imprevisto poderá interromper a emissão de radiação.

Salas equipadas com aparelhos de raios- x devem dispor de:

a) Sinalização visível nas portas de acesso, contendo o símbolo internacional da radiação ionizante acompanhado da inscrição: "raios-x, entrada restrita" ou "raios-x , entrada proibida a pessoas não autorizadas".

b) Quadro com as seguintes orientações de proteção radiológica, em lugar visível: "paciente, exija e use, corretamente, vestimenta plumbífera para sua proteção durante o exame radiográfico".

"não é permitida a permanência de acompanhantes na sala, durante o exame radiológico, salvo quando estritamente necessário".

"acompanhante, quando houver necessidade de contenção de paciente, exija e use, corretamente, vestimenta plumbífera para sua proteção durante exame radiológico.

O objetivo é educar paciente e acompanhante quanto ao risco desnecessário de permanecer na sala de exames ou consultório, durante o processo de emissão de radiação. Diminui-se o constrangimento dos envolvidos quando da solicitação de permanência na sala de espera, ou de uso da vestimenta plumbífera de proteção, por ocasião de contenção de paciente; única condição em que o acompanhante é autorizado a permanecer na sala de exames, no momento da emissão dos raios-x.

Para cada equipamento de raios-x deve haver uma vestimenta plumbífera que garanta a proteção do tronco dos pacientes, incluindo tireóide e gônadas, com pelo menos o equivalente a 0,25 mm de chumbo. Os aventais e colares são fabricados com um material especial, recoberto com um plástico como acabamento. A espessura referida é em lençol de chumbo e o material usado é mais grosso, porém com equivalência de proteção como a do chumbo. Deve-se evitar dobras e maus tratos, para manter sua integridade, pois a fadiga de um acondicionamento inadequado pode provocar rachaduras por onde a radiação pode atravessar. Se a vestimenta for feita diretamente com um lençol de chumbo, e não com um tecido especial, a manutenção da integridade é muito mais difícil. O texto da portaria não menciona a obrigatoriedade de que, para cada equipamento de raios-x, deva também existir vestimenta plumbífera para o acompanhante, quando da necessidade da contenção do paciente.

O serviço deve possuir instalações adequadas para revelação dos filmes.

a) A câmara escura deve ser construída de modo a prevenir a formação de véus nos filmes; deve ser equipada com lanterna de segurança apropriada ao tipo de filme e possuir um sistema de exaustão adequado. Quando o dentista opta por uma câmara escura, o faz em uma saleta especial, ou adapta um banheiro ou outro cômodo do consultório. Atenção especial deve ser dada à entrada de luz, pois uma mínima fresta trará prejuízo à formação da imagem. Lanterna de segurança é o nome dado à lâmpada vermelha usada nessas câmaras. Trata-se de uma lâmpada especial, com características próprias, que deve ser adquirida no comércio especializado, não servindo as lâmpadas comuns na cor vermelha. Ainda deve ser observada a distância em que o filme ficará da lanterna (1m ou mais) e nunca com incidência direta. A exaustão adequada é importante para evitar que o desprendimento de vapores dos líquidos do processo deixem o ar inadequado à respiração, e com isso induza à aceleração do processo de revelação, que por sua vez conduz a resultados insatisfatórios ou à perda de detalhes radiográficos.

b) Para radiografias intra-orais, pode ser permitida a utilização de câmaras portáteis de revelação manual, desde que confeccionadas com material opaco. O processo de revelação exige ausência de luz, salvo aquela de características especiais, como as usadas nas câmaras. No comércio encontram-se caixas de revelação de acrílico vermelho escuro, vermelho claro e até amarelo, que permitem a visualização de seu interior. Isto significa que existe luz no interior da câmara. Como o acrílico normalmente utilizado nessas caixas é, principalmente decorativo, não há por parte do fabricante da placa(matéria prima para confecção da caixa), preocupação com sistemas de revelação de películas. Se a luz deixada passar através desse acrílico interfere na formação da imagem. Uma inspeção periódica e rigorosa da caixa de revelação, juntamente com o teste da moeda (vide IRD), detectará pequenas rachaduras acidentais ou outro inconveniente. O hábito de se fazer uma verificação na formação da imagem, é completamente inadequado e não deve jamais ser feito, pois qualquer réstia de luz é inaceitável no processo. A entrada de luz provocará a formação de véu, aumento do tempo de exposição para a obtenção do resultado radiográfico desejado e acarretará a perda de detalhes. Com um pequeno esforço de treinamento (2 ou 3 películas), o dentista se habituará ao processamento sem nenhuma visualização da película.

c) Para a revelação manual, deve estar disponível no local: Um cronômetro, um termômetro e uma tabela de revelação para garantir o processamento nas condições especificadas pelo fabricante. O filme somente poderá produzir uma radiografia adequada, se as instruções de seu fabricante, do fabricante do revelador e do fixador forem observadas. A temperatura dos líquidos varia em função da temperatura ambiente, de um dia para o outro, da manhã para a tarde e de uma estação climática para outra, embora normalmente não estejamos atentos a essas variações que irão influir diretamente no tempo de revelação e fixação da película. O cronômetro facilita o controle do tempo necessário de processamento que é função direta da temperatura, visto que seu controle no relógio convencional é muito sujeito a enganos. Sugere-se também o relógio tipo despertador, com movimento retrógrado, muito usado em laboratórios. A fixação de uma tabela de temperatura e tempos adequados facilitará a operação e contribuirá para diminuir as possibilidades de erro (vide IRD).

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EQUIPAMENTOS

Em adição às características gerais aplicáveis, todo equipamento de raios-x para uso odontológico deve atender aos seguintes requisitos:

a) Tensão:

Em radiografias intra-orais a tensão do tubo de raios-x deve ser maior ou igual a 50 kVp, preferencialmente maior que 60 Kvp: o risco intrínseco do uso de radiação x está, entre outros, ligado diretamente às doses utilizadas na obtenção da radiografia. As radiações de mais baixa energia aumentam esta dose por serem menos penetrantes, ao passo que, as de maior energia a diminuem por serem mais penetrantes. Os raios moles (radiações de baixa energia) tendem a ser retidos pela pele do paciente e por outros tecidos, antes de atingirem o filme, não contribuindo assim para a formação da imagem, gerando radiação secundária que contribui para a diminuição da qualidade radiográfica aumentando desnecessariamente a dose. Um feixe de raios-x é composto por raios moles (menos penetrantes) e por raios duros (mais penetrantes), possibilitando que nos aparelhos de maior tensão, o tempo de exposição e a dose sejam substancialmente reduzidos. O aumento de tensão é o maior responsável pela diminuição das doses. Deve-se dar preferência aos aparelhos de tensão entre 65 kVp e 90 Kvp (vide IRD). O legislador procura impedir o uso de aparelhos que aumentem desnecessariamente o risco intrínseco da radiação x, como os aparelhos antigos, com tensão inferior a 50 Kvp (grande quantidade ainda em funcionamento no Brasil), procurando disseminar o uso de aparelhos de maior tensão, considerados mais seguros e eficientes.

     

  • Equipamentos para radiografias extra-orais não devem possuir tensão inferior a 60 kVp. O dentista deve considerar essa observação verificando se o seu aparelho tem condições de efetuar esse tipo de radiografia, ainda que esporádica, considerando os efeitos de uma tensão mais baixa.

     

  1. Filtração Total: os aparelhos de raios-x se utilizam de filtração para reter os raios mais moles, prejudiciais à qualidade radiográfica com aumento desnecessário da dose de radiação. Os raios-x produzidos na ampola ou tubo são obrigados a atravessar os materiais de sua construção como: vidro da ampola (filtração inerente), óleo, sistema de vedação do óleo e filtro de alumínio ( filtração adicionada), que se constituem na filtração total. A filtração total é expressa em equivalência em alumínio, ou seja representa o somatório de todas as barreiras citadas e mais a barreira do filtro de alumínio que não deve ser confundida com a espessura do filtro de alumínio.

     

  • Equipamentos com tensão de tubo inferior ou igual a 70 kVp devem possuir uma filtração total permanente não inferior ao equivalente a 1.5 mm de alumínio.
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  • Equipamentos com tensão de tubo superior a 70 kVp devem possuir uma filtração total permanente não inferior ao equivalente a 2,5 mm de alumínio. Os aparelhos de mais baixo kVp, têm em seu feixe raios duros, porém menos duros que aqueles de maior kVp. Uma filtração de maior espessura tende a reter raios moles de maior valor (porém moles), mas que não atingiram os valores de raios duros. Por conseguinte ,os aparelhos de maior valor de kVp, contribuem para uma diminuição de dose, pois possuem uma filtração de maior equivalência em alumínio.

     

  1. Radiação de Fuga:

     

  • Em radiografias intra-orais o cabeçote deve estar adequadamente blindado de modo a garantir um nível mínimo de radiação de fuga, limitada a uma taxa de kerma no ar máxima de 0,25 mGy/h a 1m do ponto focal, quando operado em condições de ensaio de fuga; quando observadas a distância de 2 m e a posição adequada, fora do feixe primário, existe a proteção contra a radiação secundária (espalhada). O mesmo não ocorre quanto à radiação de fuga, que acima do valor referenciado, tem um comportamento idêntico ao do feixe primário, revelando falha na blindagem do cabeçote. Os aparelhos novos, em no máximo um ano, deverão ter entre os documentos acompanhantes, a certificação de blindagem. Os já instalados devem ser avaliados por um especialista em física de radiodiagnóstico ou certificação equivalente, no prazo máximo de 3 anos.
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  • Para outros equipamentos emissores de raios-x, os requisitos para radiação de fuga, são os mesmos estabelecidos para radiodiagnóstico médico. A blindagem desse tipo de equipamento deve garantir um nível mínimo de radiação de fuga, restringida a uma taxa de kerma no ar de 1 mGy/h a um metro do ponto focal, quando operado em condições de ensaio de fuga. Este mesmo requisito se aplica à radiação de fuga através do sistema de colimação.

     

  1. Colimação:

     

  • Todo equipamento de raios-x deve possuir um sistema de colimação para limitar o campo de raios-x,o mínimo necessário para cobrir a área em exame;
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  • Para radiografias intra-orais o diâmetro do campo não deve ser superior a 6 cm na extremidade de saída do localizador. Valores entre 4 e 5 cm são permitidos apenas quando houver um sistema de alinhamento e posicionamento do filme. A limitação da área visa irradiar o menos possível as áreas sem interesse radiográfico, protegendo órgãos mais sensíveis. Note que a abertura do colimador é função da distância definida pelo cilindro localizador ao ser colocado no rosto do paciente. Ao deixá-lo uns poucos centímetros afastado do rosto do paciente, a conseqüência será um aumento do tamanho de campo e a irradiação de órgãos sem interesse radiagráfico, contribuindo ainda para um aumento de radiação secundária.
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  • Em radiografias extra-orais é obrigatório o uso de colimadores retangulares. As dimensões necessárias são grandes em relação às da radiografia intra-oral, logo se o colimador não for retangular a área irradiada será muito grande.

     

  1. Distância Foco-Pele:

     

  • Equipamentos para radiografias intra-orais devem possuir um localizador de extremidade de saída aberta para posicionar o feixe e limitar a distância foco-pele.
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  • O localizador deve ser tal que a distância foco-pele seja de, no mínimo, 18 cm para tensão de tubo menor ou igual a 60 kVp, no mínimo de 20 cm para tensão entre 60 e 70 kVp (inclusive), e no mínimo 24 cm para tensão maior que 70 kVp. O localizador desempenha diversas funções de atuação conjugada como: auxiliar a localização da área de incidência do feixe de radiação, limitar o tamanho de campo em função do diâmetro do orifício do colimador e, também, nos localizadores longos, auxilia na diminuição dos raios moles em função do aumento da distância. Um localizador mais longo contribui ainda para uma melhor geometria do feixe de raios-x, forçando o uso dos raios mais paralelos, que são os mais centrais do feixe.
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  • O localizador e o diafragma/colimador devem ser construídos de modo que o feixe primário não interaja com a extremidade de saída do localizador. O feixe de raios-x tem a forma de um cone, definido pelo diâmetro do orifício do colimador e pelo comprimento do cilindro localizador.Se a geometria do conjunto estiver adequada, o feixe principal não atingirá as paredes do localizador, não gerando assim radiação secundária e formando, à saída do localizador, um campo de radiação de 6 cm.

     

  1. Duração da Exposição:

     

  • A duração da exposição pode ser indicada em termos de tempo ou número de pulsos. São as duas formas existentes para a indicação, comumente encontradas.
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  • Sistema de controle da duração da exposição deve ser do tipo eletrônico e não deve permitir exposição superior a 5 segundos. As práticas radiológicas em odontologia não superam esse valor.
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  • Deve haver um sistema para garantir que raios-x não sejam emitidos quando o indicador de tempo de exposição se encontrar na posição "zero" e o disparador for pressionado. Esta restrição ajuda a evitar disparos acidentais, devendo o operador habituar-se a deixar o aparelho sempre na posição "zero" entre um exame e outro, regulando-o apenas no momento da exposição.
  1. O botão disparador deve ser instalado em uma cabine de proteção ou disposto de tal forma que o operador que o maneje possa ficar a uma distância de, pelo menos, 2 m do tubo e do paciente durante a exposição. Levantamentos efetuados, visando detectar o alcance da radiação secundária (espalhada), demostram que o profissional, quando colocado em posição adequada em relação ao feixe principal de radiação e ao cabeçote/paciente, estará protegido (vide IRD). Portanto, o profissional para estar protegido, é necessário apenas que, com o disparador na mão, afaste-se pelo menos 2 m, mantendo a vigilância sobre o paciente, podendo assim à qualquer imprevisto interromper a emissão de radiação.
  1. Sistema de suporte do cabeçote deve ser tal que o mesmo permaneça estável durante a exposição. Qualquer movimento que o conjunto do cabeçote faça após seu posicionamento pode acarretar a perda da radiografia e gerar a repetição do exame, logo dobrará a dose utilizada. Em hipótese alguma o operador deve segurar o cabeçote durante a exposição.

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PROCEDIMENTOS DE TRABALHO

 

     

  • A fim de reduzir a dose no paciente, devem ser adotados os seguintes procedimentos:

     

  1. Exames radiográficos somente devem ser realizados quando, após exame clínico e cuidadosa consideração das necessidades de saúde geral e dentária do paciente, sejam julgados necessários. Deve-se averiguar a existência de exames radiográficos anteriores que tornem desnecessário novo exame. O princípio são sempre valores de dose tão baixos quanto razoavelmente exeqüível (vide IRD).

     

  1. Tempo de exposição deve ser o menor possível, consistente com a obtenção de imagem de boa qualidade. Isto inclui o uso de receptor de imagem mais sensível, que possa fornecer o nível de contraste e detalhes necessários. No caso de radiografias extra-orais, deve-se utilizar uma combinação de filme e tela intensificadora com o mesmo critério.

     

  1. A repetição de exames deve ser evitada por meio do uso da técnica correta de exposição e de um processamento confiável e consistente. A melhor radiografia é aquela que permite uma perfeita visualização dos detalhes necessários ao exame, com a menor dose de radiação.Nem sempre um grau de contraste elevado conduz ao melhor resultado, assim como nem sempre um baixo grau de contraste conduz ao melhor resultado. Somente com a análise acurada, procedimentos corretos de exposição e revelação, aliados à conceituação de menor dose possível, conduz ao melhor resultado.

     

  1. Para radiografias intra-orais deve-se utilizar, preferencialmente:

       

    • a técnica do paralelismo com localizadores longos;

       

    • dispositivos de alinhamento (posicionadores);

       

    • prendedores de filme e de "bite-Wing" de modo a evitar que o paciente tenha que segurar o filme. Ao observar essas técnicas o dentista estará contribuindo efetivamente para a redução de dose do procedimento radiográfico.

     

  1. A extremidade do localizador deve ser colocada o mais próximo possível da pele do paciente para garantir o tamanho de campo mínimo.

O feixe de raios-x é análogo ao feixe de luz de uma lanterna comum. Se dirigirmos esse feixe para uma parede e nos aproximarmos, o círculo iluminado diminuirá e se nos afastarmos, esse círculo aumentará. Com o cilindro localizador afastado da pele do paciente, estará sendo irradiada uma área (maior do que 6 cm), sem interesse ao exame.

     

  1. O operador deve observar e ouvir o paciente durante as exposições. Isso permite ao operador interromper a emissão a qualquer imprevisto, como um leve movimento do paciente ou uma mudança de localização do cabeçote, atendendo ao princípio fundamental de evitar-se irradiações desnecessárias. Nos tempos muito curtos essa interrupção é mais difícil, (mas deve sempre ser tentada), o que não é verdade para os tempos mais longos.

     

  1. Em radiografias extra-orais deve-se utilizar o tamanho de campo menor ou igual ao tamanho do filme. Também visando não irradiar áreas sem interesse para o exame radiográfico.

     

  1. É proibido o uso de sistema de acionamento de disparo com retardo. Trata-se de um hábito desenvolvido em nosso meio, que além de tornar impossível a interrupção do processo de irradiação à qualquer imprevisto, como já considerado anteriormente, promove um "stress" adicional ao paciente, completamente desnecessário, pois seguidas as recomendações e artigos desta portaria, se o operador mantiver-se na distância de pelo menos 2 m do cabeçote/paciente, na posição adequada, este estará perfeitamente protegido (vide IRD).

     

  1. Uso de vestimenta de proteção individual de modo a proteger a tireóide, o tronco e as gônadas dos pacientes durante as exposições. Os aventais plumbíferos devem ser acondicionados de forma a preservar sua integridade, sobre superfície horizontal ou em suporte apropriado. Os aventais e colares são fabricados com um material especial, recoberto com um plástico como acabamento. A espessura referida é em lençol de chumbo e o material usado é mais grosso, porém com equivalência de proteção como a do chumbo. Deve-se evitar dobras e maus tratos, para manter sua integridade, pois a fadiga de um acondicionamento inadequado pode provocar rachaduras por onde a radiação porventura penetre. Se a vestimenta for feita diretamente com um lençol de chumbo, e não com um tecido especial, a manutenção da integridade é muito mais difícil.

     

  • Proteção do operador e equipe:

     

  1. Equipamentos panorâmicos ou cefalométricos devem ser operados dentro de uma cabine ou biombo fixo de proteção, com visor apropriado ou sistema de televisão.

- O visor deve ter, pelo menos, a mesma atenuação calculada para a cabine.

- A cabine deve estar posicionada de modo que, durante as exposições, nenhum indivíduo possa entrar na sala de exames sem o conhecimento do operador. O operador, ciente das regras de proteção radiológica,somente permitirá a entrada de acompanhantes devidamente protegidos pelas vestimentas plumbíferas e somente nos casos de contenção de paciente. As determinações visam proteger o operador e equipe. Os cálculos adequados devem ser feitos por físico especializado ou profissional de qualificação equivalente.

- Em exames intra-orais em consultórios o operador deve manter-se a uma distância de, pelo menos, 2 m do tubo e do paciente durante as exposições. Se a carga de trabalho for superior a 30 mA min por semana, o operador deve manter-se atrás de uma barreira protetora com uma espessura de, pelo menos 0,5 mm equivalentes ao chumbo. É importante durante o processo de concessão do alvará, informar às autoridades ou agentes fiscalizadores as reais cargas de trabalho, pois sua omissão pode resultar em condições inadequadas quanto à proteção do profissional. As providências para o trabalho correto são extremamente simples e de baixo custo.

     

  1. Operador ou qualquer membro da equipe não deve se posicionar na direção do feixe primário, nem segurar o cabeçote ou localizador durante as exposições. A proteção radiológica para tal posicionamento é prática inadmissível. O posicionamento correto (vide IRD) é perfeitamente exeqüível.

     

  1. Nenhum elemento da equipe deve segurar o filme durante a exposição. Esse procedimento é inaceitável. Ou o próprio paciente executa essa tarefa ou no caso de impossibilidade, o acompanhante deve efetuá-la. (vide IRD).

- Somente o operador e o paciente podem permanecer na sala de exame durante as exposições.

- Caso seja necessária a presença de indivíduos para assistirem uma criança ou um paciente debilitado, elas devem fazer uso de avental plumbífero, com pelo menos o equivalente a 0,25 mm de chumbo e evitar localizar-se na direção do feixe primário. A portaria deixa de citar o uso das outras vestimentas de proteção (que já devem fazer parte do consultório), mas que não devem ser esquecidas.

- Nenhum indivíduo deve realizar regularmente essa atividade. O acompanhante deve sempre ser alertado sobre o prejuízo que tal procedimento pode lhe causar.

     

  • Proteção do Público

     

  1. O titular deve demonstrar através de levantamento radiométrico, que os níveis de radiação atendem aos requisitos de restrição de dose estabelecidos neste regulamento. Parte do levantamento radiológico é baseado nas informações prestadas sobre quantidade e método de trabalho. O titular deve certificar-se da exatidão dessas informações, pois afetarão diretamente o resultado da avaliação.

     

  1. Acesso à sala onde exista aparelho de raios-x deve ser limitado durante os exames radiológicos.

     

  1. Uma sala de raios-x não deve ser utilizada simultaneamente para mais de um exame. Refere-se a mais de um aparelho na mesma sala. Situações consideradas inaceitáveis: expor à radiação outro paciente não envolvido no exame, numa grande sala com mais de uma cadeira odontológica, separadas por cortinas, divisórias ou outro material não considerado como barreira, e dividir-se o uso do aparelho de raios-x móvel.

     

  • No processamento do filme:

- Devem ser seguidas as recomendações do fabricante com respeito à concentração das soluções, temperatura e tempo de revelação.

- Deve ser afixada na parede da câmara uma tabela de tempo e temperatura de revelação;

     

  • Deve-se medir a temperatura do revelador antes da revelação.

       

    1. As soluções devem ser regeneradas ou trocadas quando necessário, de acordo com as instruções do fabricante.

       

    1. Não devem ser utilizados filmes ou soluções de processamento com prazo de validade expirado.

       

    1. Não deve ser realizada qualquer inspeção visual do filme durante os processamentos manuais.

       

    1. A câmara escura e as cubas de revelação devem ser mantidas limpas.

Os filmes devem ser armazenados em local protegido do calor, umidade, radiação e vapores químicos. Um processamento inadequado, via de regra conduz à qualidade inadequada da imagem radiográfica, com perdas de detalhes e aumento da dose.

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CONTROLE DE QUALIDADE

 

Controle de qualidade, previsto no programa de garantia de qualidade, deve incluir o seguinte conjunto mínimo de testes de constância, com freqüência mínima de dois anos:

     

  1. Camada semi-redutora;
  2.  

  3. Tensão de pico;
  4.  

  5. Tamanho do campo;
  6.  

  7. Reprodutibilidade do tempo de exposição ou reprodutiblidade da taxa de kerma no ar;
  8.  

  9. Linearidade da taxa de kerma no ar com o tempo de exposição;
  10.  

  11. Dose de entrada na pele do paciente;
  12.  

  13. Padrão de imagem radiográfica;
  14.  

  15. Integridade das vestimentas de proteção individual

Esse controle visa assegurar que as condições de operação e estado do equipamento sejam mantidos, aumentando a segurança do profissional e do paciente quanto às radiações do processo radiográfico. O conjunto de normas e regulamentos permite que a manutenção preventiva e corretiva possam ser efetuadas com uma perfeita visão do problema, auxiliando o dentista na contratação do profissional encarregado das eventuais correções.

     

  • Padrões de desempenho:

     

  1. os níveis de radiação de fuga são definidos a 1 m do foco fora do feixe primário, pelo valor médio sobre as áreas de medição de 100 cm2 com dimensão linear que não exceda 20 cm. A medição dos níveis de radiação de fuga visam testar a integridade do revestimento de proteção do cabeçote. Acidentes podem danificar esse revestimento.

     

  1. valor da camada semi-redutora do feixe útil não deve ser menor que o valor mostrado na tabela II para tensão de tubo máxima de operação, de modo a demonstrar conformidade com os requisitos de filtração mínima. Valores intermediários podem ser obtidos por interpolação. Trata-se da filtração adicionada (filtro de alumínio) na fabricação do cabeçote. Uma queda entre o valor original e o efetivamente medido pode gerar a necessidade de substituição desse filtro. Um fator a ser considerado é a condição da rede elétrica, a qual o aparelho está ligado, pois seu valor efetivo influi diretamente na medida do kVp. Um técnico pode medir e corrigir a irregularidade.

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TABELA II

Valores mínimos de camadas semi-redutoras em função da tensão do tubo máxima de operação – CSR (mm Al)

KVp CSR

 

51 1,2

60 1,3

70 1,5

71 2,1

80 2,3

90 2,5

     

  1. A tensão medida no tubo não deve ser inferior a 50 kVp, com uma tolerância de –3 kVp. O valor refere-se às condições de operação do aparelho e não ao seu valor nominal, pois diversas situações podem determinar uma operação em níveis mais baixos de kVp. Uma das situações mais comumente detectadas é a variação de voltagem da rede elétrica que pode ser freqüente. Em determinados períodos do dia o uso de auto transformadores pode ser uma das soluções. Outros aparelhos do consultório podem também ter seu desempenho prejudicado. A medição serve como alerta para a identificação da origem do problema e um técnico pode completar essa identificação.

     

  1. Seletor de tempo de exposição deve garantir exposições reprodutíveis de modo que o desvio (diferença entre duas medidas de tempo de exposição)máximo seja menor ou igual a 10% do valor médio, para quatro medidas. Alternativamente, para um dado tempo de exposição, a taxa de kerma no ar deve ser reprodutível em 10%. Os seletores de tempo mecânicos devem ser desativados e substituídos, pois não oferecem o nível de precisão atualmente exigidos. Os eletrônicos podem necessitar de ajustes.

     

  1. A taxa de kerma no ar deve ser linear com o tempo de exposição. O desvio (diferença entre duas medidas) máximo não deve ultrapassar ±20% do valor médio para os tempos comumente utilizados. Diversas podem ser as causas dessa irregularidade, sendo a voltagem e o seletor de tempo importantes nessa avaliação.

     

  1. As doses na entrada da pele dos pacientes em radiografia intra-oral devem ser inferiores ao nível de referência de radiodiagnóstico apresentados no anexo A. São apresentados níveis de referência de radiodiagnóstico por radiografia para o paciente adulto típico, em diversos tipos de exame. Para radiografia periapical, com filme do grupo E, o valor para dose de entrada na pele (DEP) é 3,5 mGy/h. Esse é um valor de referência, não significando que não sejam necessários esforços para diminuí-lo, sem perda de qualidade radiográfica. Um kVp mais elevado e um sistema de revelação em boas condições, seguindo-se as recomendações sobre tempo e temperatura dos líquidos e sem entrada de luz na câmara ou caixa de revelação, o tempo de exposição pode ser muito diminuído e conseqüentemente a dose irá baixar. Uma análise acurada da radiografia padrão definida pelo profissional, pode contribuir de maneira contundente na diminuição da dose, pois definirá o nível de contraste adequado ao exame. Um elevado contraste além de poder gerar perdas de detalhes acarreta, sem dúvida, um aumento de dose na pele do paciente. Como o assunto nunca pode ser estudado e definido.
  2. isoladamente, convém lembrar ao profissional que uma dose maior que a necessária, aumenta também a radiação secundária (espalhada), prejudicial ao profissional, ao paciente e à qualidade da imagem.

 

     

  • CAPITULO 6 – Disposições transitórias
  •  

  • A aplicação deste regulamento implica em reavaliações de instalações, equipamentos, procedimentos, qualificação profissional e de práticas. Desta forma, ficam concedidos prazos diferenciais para o cumprimento dos requisitos discriminados neste capítulo. As autoridades sanitárias locais podem reduzir em atos normativos os prazos estabelecidos.É importante salientar que o objetivo das autoridades é obter uma melhora de qualidade na fabricação, instalação, procedimentos, qualificação profissional e das práticas, visando a proteção radiológica do profissional e do paciente com efetiva melhora da qualidade e diagnósticos dos exames.
  •  

  • As exigências abaixo devem ser atendidas no menor tempo possível, não ultrapassando os prazos indicados, contados a partir da data de publicação (01/06/98) deste regulamento.

     

  1. Um ano para que sejam adquiridos apenas equipamentos que atendam aos ítens relativos à certificação de blindagem do cabeçote e teste de aceitação. Os equipamentos já instalados devem ser avaliados por um especialista em física de radiodiagnóstico (ou certificação equivalente), no prazo máximo de 3 anos.
  2.  

  3. Quatro anos para as exigências relativas à qualificação profissional sejam cumpridas.
  4.  

  5. Três anos para implantação do sistema de garantia da qualidade e respectivos assentamentos.
  6.  

  7. Um ano para que sejam desativados ou substituídos os equipamentos de abreugrafia convencional.
  8.  

  9. Cinco anos para substituir os atuais sistemas de fluoroscopia por sistema com intensificador de imagem. A partir da data da publicação deste regulamento técnico, somente devem ser instalados equipamentos de fluoroscopia com intensificadores de imagem.
  10.  

  11. Um ano para que sejam substituídos ou desativados os sistemas de disparo com retardo de raios-x de uso odontológico.

     

  1. Um ano para que sejam substituídos nos equipamentos odontológicos ,os controladores de duração de exposição mecânicos por eletrônicos e com sistema de disparo do tipo "dead man".

     

  1. Três anos para atendimento dos requisitos de calibração dos instrumentos de dosimetria de feixe e de monitoração de área.
  2.  

  3. Um ano para que sejam utilizados em radiografias apenas filmes verdes e telas intensificadoras de terras raras correspondentes, ou outros receptores de imagem com sensibilidade maior ou igual.

     

  • A portaria estabelece os prazos máximos para atendimento das exigências, podendo ainda as vigilâncias sanitárias locais reduzirem esses prazos. Os prazos acima referem-se às áreas médica e odontológica e foram incluídos na íntegra, a título de orientação, sendo que os tópicos ligados diretamente à odontologia são os itens a, c, f, g, assinalados.

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GLOSSÁRIO

 

     

  • ACIDENTE - qualquer evento não intencional, inclusive erros de operação e falhas de equipamento, cujas conseqüências reais ou potenciais são relevantes sob o ponto de vista de proteção radiológica.
  •  

  • ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO - licença ou autorização de funcionamento ou operação do serviço fornecida pela autoridade sanitária local. Também chamado de licença ou alvará sanitário.
  •  

  • AUTORIDADE SANITÁRIA - autoridade competente no âmbito da área de saúde, com poderes legais para baixar regulamentos e executar licenciamento e fiscalização, inclusive na área de segurança e proteção radiológica.
  •  

  • BLINDAGEM - barreira protetora. Material ou dispositivo interposto entre uma fonte de radiação a seres humanos ou meio ambiente com o propósito de segurança e proteção radiológica.
  •  

  • CAMADA SEMI-REDUTORA - CRS - espessura de um material específico que, introduzido no feixe de raios - x, reduz a taxa de kerma no ar à metade. Nesta definição, considera-se excluída a contribuição de qualquer radiação espalhada que não estava presente inicialmente no feixe considerado.
  •  

  • CARGA DE TRABALHO (SEMANAL) - W - somatório dos produtos da corrente pelo tempo (mAs) utilizado na semana. Aproximadamente, o produto do número de radiografias semanais pelo mAs médio utilizado. Para relatórios de levantamento radiométrico e para planejamento de blindagem, os seguintes valores típicos de carga de trabalho semanal podem ser utilizados como orientação para a obtenção de valores realistas.
  •  

  • COLIMADOR - dispositivo ou mecanismo utilizado para limitar o campo de radiação.
  •  

  • CONDIÇÕES DE ENSAIO DE FUGA - são definidas pelos parâmetros específicos utilizados para medir radiação de fuga em cabeçotes de equipamentos de raios - x diagnósticos, estabelecidos como segue:

     

  • Para equipamentos com energia armazenada em capacitores: tensão máxima (kVp) especificada pelo fabricante e número máximo de exposições especificado pelo fabricante para 1h com o menor mAs disponível, desde que superior a 10 mAs;
  •  

  • Para equipamentos com operação pulsada: número máximo de pulsos especificado pelo fabricante para 1h de operação na tensão máxima (kVp);
  •  

  • Demais tipos de equipamentos: tensão máxima (kVp) especificada e a máxima corrente contínua de tubo especificada pelo fabricante para o máximo kVp.

     

  • DOSE ABSORVIDA - D - grandeza expressa por D = dε /dm, onde dε é o valor esperado da energia depositada pela radiação em um volume elementar de matéria de massa dm. A unidade SI de dose absorvida é o joule por quilograma, denominado gray (Gy).
  •  

  • DOSE -dose absorvida, dose efetiva, dose equivalente ou equivalente de dose, dependendo do contexto.
  •  

  • DOSE DE ENTRADA NA PELE - DEP-dose absorvida no centro do feixe incidente na superfície do paciente submetido a um procedimento radiológico. Inclui retro-espalhamento.
  •  

  • DOSE EFETIVA - E - média aritmética ponderada das doses equivalentes nos órgãos. Os fatores de ponderação dos tecidos foram determinados de tal modo que a dose efetiva represente o mesmo detrimento de uma exposição uniforme de corpo inteiro. A unidade de dose efetiva é o joule por quilograma, denominada sievert (Sv). Os fatores de ponderação dos tecidos (W), são apresentados na publicação Nº 60 da ICRP (1991), com os seguintes valores: para osso, superfície óssea e pele, 0,01; para bexiga, mama, fígado, esôfago, tireóide e restante, 0,05; para medula óssea, cólon, pulmão e estômago, 0,12; e para gônadas, 0,20.
  •  

  • DOSE EQUIVALENTE - HT - grandeza expressa por HT = D TWR, onde DT é dose absorvida média no órgão ou tecido humano e WR é o fator de ponderação da radiação. Para os raios - x, WR = 1 e a dose equivalente é numericamente igual à dose absorvida. Aunidade SI de dose equivalente é denominada SIEVERT, Sv
  •  

  • ESPECIALISTA EM FÍSICA DE RADIODIAGNÓSTICO - Indivíduo com formação plena de nível superior, com conhecimento, treinamento e experiência comprovada em física das radiações em medicina e em radiológia nas práticas com raios - x diagnósticos. A habilitação deve ser comprovada mediante certificação emitida por órgãos de reconhecida competência ou colegiados profissionais cujos critérios de avaliação estejam homologados pelo Ministério da Saúde.
  •  

  • EXPOSIÇÃO ACIDENTAL - exposição involuntária e imprevisível ocorrida em condições de acidente.
  •  

  • EXPOSIÇÃO NORMAL - exposição esperada em decorrência de uma prática autorizada, em condições normais de operação de uma fonte ou de uma instalação, incluindo os casos de pequenos possíveis contratempos que podem ser mantidos sob controle.
  •  

  • FEIXE PRIMÁRIO (DE RADIAÇÃO) - feixe de radiação que passa através da abertura do colimador e que é usado para formação da imagem radiográfica.
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  • FILTRAÇÃO TOTAL - filtração permanente dada pela soma das filtrações inerente e adicional, incluindo o espelho do sistema colimador.
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  • FILTRAÇÃO - material no feixe primário que absorve preferencialmente a radiação menos penetrante.
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  • INSTALAÇÃO RADIOLÓGICA OU SIMPLES INSTALAÇÃO - O equipamento de raios - x, seu painel de controle e demais componentes; o ambiente no qual está instalado, e respectivas blindagens.
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  • INSTALAÇÕES MÓVEIS - equipamentos de raios - x montados em veículos automotores.
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  • KERMA - Grandeza definida por K = dEtr/dm, onde dEtr é a energia cinética inicial de todas partículas carregadas, liberadas por partículas ionizantes não carregadas em um material de massa dm. A unidade SI é o joule por quilograma, com denominação especial de gray (Gy).
  •  

  • NÍVEIS DE REFERÊNCIA DE RADIODIAGNÓSTICO - valores de uma grandeza específica na prática de radiodiagnóstico para exames típicos em grupos de pacientes típicos. Estes níveis não devem ser ultrapassados nos procedimentos habituais, quando são aplicadas às boas práticas correntes relativas ao diagnóstico. Podem ser considerados como uma forma de níveis de investigação e devem ser relativos apenas a tipos comuns de exames diagnósticos e a tipos de equipamentos amplamente definidos. Os níveis não foram planejados para serem utilizados de maneira exata e uma multiplicidade de níveis reduziriam sua utilidade.
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  • OPERADOR - profissional treinado e autorizado a operar equipamentos de raios - x.

     

  • PACIENTE ADULTO TÍPICO (PARA FINS DE AVALIAÇÃO DE EXPOSIÇÃO MÉDIA EM ADULTO) - indivíduo com característica biométrica típica de adulto, com peso entre 60 e 75 Kg e altura entre 1,60 e 1,75m.
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  • PROCEDIMENTO RADIOLÓGICO - exame de radiodiagnóstico ou utilização intervencionista dos raios - x diagnósticos.
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  • PROTEÇÃO RADIOLÓGICA OU RADIOPROTEÇÃO- conjunto de medidas que visam proteger o homem, seus descendentes e seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante.
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  • RADIAÇÃO IONIZANTE OU SIMPLESMENTE RADIAÇÃO - para fins de proteção radiológica, é qualquer partícula ou radiação eletromagnética que, ao interagir com a matéria biológica, ioniza seus átomos ou moléculas.
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  • RADIAÇÃO DE FUGA OU RADIAÇÃO DE VAZAMENTO - radiação que consegue atravessar o cabeçote e/ou sistema de colimação não pertencente ao feixe primário.
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  • RADIODIAGNÓSTICO - Prática com utilização de raios - x diagnósticos.
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  • RAIOS - X DIAGNÓSTICOS - fótons obtidos em tubos de até 150 kVp, utilizados para impressionar um receptor de imagem, com fins de diagnósticos ou para orientar procedimentos médicos invasivos (ou intervencionistas).
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  • RECEPTOR DE IMAGEM - um sistema que transforma os fótons de raios - x que passam através do paciente em uma imagem visível ou outra forma que pode tornar-se visível por transformações adicionais. Ex.: sistema filme-tela, sistema intensificador de imagem, detector de estado sólido em CT.
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  • RESTRIÇÃO DE DOSE - restrição prospectiva nas doses individuais relacionadas a uma determinada fonte de radiação ionizante, destinada a ser usada como uma fronteira na etapa de planejamento de proteção radiológica,a fim de limitar a gama de opções consideradas no processo de otimização. Estabelecida por autoridade nacional, aplica-se às exposições ocupacionais e do público, e a voluntários em pesquisa biomédica e em assistência não ocupacional a pacientes. No caso de exposições médicas de pacientes, pode ser interpretada como nível de referência de diagnóstico.

 

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